Sobre Meninos e Lobos

Coisas acontecem na vida da gente, o tempo todo, a todo instante. Você entra naquele espiral dinâmico, como em um buraco negro, e vai agindo conforme a situação se apresenta, sem saber onde, efetivamente, vai parar. E aí, quando você vê, quase meio século se passou…

De tudo, porém, o que fica são as suas pegadas. Elas influenciarão os que te seguem, abrindo trilhas, inspirando outros a acharem novos caminhos, numa jornada infinita, atrás de um destino incerto, porém finito.

Nossas ações cotidianas ecoam no Universo, mas parece que somos sozinhos. Ao iniciarmos nossa travessia nessa vida saímos, de forma traumática, de um ambiente calmo e acolhedor diretamente para as mãos de um estranho, que corta nossa fonte de alimento e carinho com uma tesoura, para logo depois nos jogar dentro de uma bacia com um líquido parecido com o que estávamos acostumados, mas que logo perceberemos se tratar de uma armadilha: nunca mais viveremos no paraíso do ventre materno. A partir daí estaremos por nossa conta e risco…

Imagino que a vida fez assim com a intenção de nos preparar para o que está por vir: uma vida dura, repleta de frustrações, provações, incertezas e perdas. Até bem pouco tempo, todos sabiam disso e, por isso mesmo, os raros momentos de felicidade eram valorizados. Sabíamos que a felicidade mora em pequenas coisas, como um almoço em família, o início de uma paixão, a conquista particular de algum objetivo seu ou de alguém que você ama, enfim, nada que pudesse ser medido em escala material.

Agora a felicidade virou uma obrigação. A colocamos como um ideal de vida a ser medido pelo número de seguidores que a compartilham. Aguentamos nossas frustrações tanto quanto um bebê aguenta ficar sem amamentar. E por mais chances que te deem, você sempre será um injustiçado, porque a culpa é de todos por tudo o que acontece com você, menos sua.  E se alguém se sentir triste ou pra baixo, Prozac nele, porque ele não é normal. O normal é “ser feliz”. E dá-lhe fotos que confirmam a exceção… Sou feliz porque sou “sarado”, tenho dinheiro, sou independente (leia-se sozinho) e não quero filhos porque meu “objetivo profissional” não permite. E se você for gordo, eles lerão que você é um preguiçoso. Sem grana, você é um incompetente. Casado com filhos, um trouxa.

E hordas de bobos acreditam nisso e se esforçam para parecer o que não são, esquecendo que a vida é muito mais que dinheiro, aparência e satisfação. Aproveitar a vida é saber que, apesar de todas as limitações, de todas as diferenças entre nós, haverá sempre um lugar reservado pra cada um nesse mundo: o túmulo.

Por: Paulo Franco – diretor da Franco Consultoria de Imóveis

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