Welcome to the get down!

The Bronx, NY. 1977. Um blecaute sem precedentes parou Nova York. Enquanto Manhattan jantava a luz de velas, delinquentes daquele condado simplesmente transformaram a escuridão em uma oportunidade de saciar toda a vontade de consumo reprimida saqueando lojas e depredando bens, ou o que restava daquilo… Sim, porque, nos anos 70, a “cidade que nunca dorme”, era muito diferente do que vemos hoje. Abaixo, uma matéria que eu gostaria de ter escrito. Por isso a transcrevo, quase, na íntegra, e que saiu em um jornal digital chamado Brasil 247, assinado por Luis Pellegrini, em 02 de outubro de 2013:

“A Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor, abandonados na rua. Um no Bronx, e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser depredado em poucas horas. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

Só que, aí, eles tiveram a grande sacada! Quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava a uma semana impecável, os pesquisadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. Resultado: logo a seguir foi desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Por que o vidro quebrado no carro abandonado num bairro supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso? Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Se imóveis, parques e outros espaços públicos deteriorados forem progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria dos moradores, esses mesmos espaços serão progressivamente ocupados por delinquentes.

Desse estudo nasceu a “Teoria das Janelas Quebradas”, que foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, que se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento da passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados positivos foram rápidos e evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Quebradas e na experiência do metrô, deu impulso a uma política mais abrangente de “tolerância zero”. A estratégia consistiu em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à lei e às normas de civilidade e convivência urbana. O resultado na prática foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão “tolerância zero” soa como uma espécie de solução autoritária e repressiva. Se for aplicada de modo unilateral, pode facilmente ser usada como instrumento opressor de minorias. Mas o conceito principal é muito mais a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, mas sim de impedir a eclosão de processos criminais incontroláveis. O método preconiza claramente que aos abusos de autoridade da polícia e dos governantes também se deve aplicar a tolerância zero. Ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular. Não se trata de tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.”

Tudo isso para chegar ao nosso estado do Espírito Santo, que vive uma onda de violência e saques como nunca antes visto. É preciso entender o Brasil como um todo. E esse todo está putrefato. Vamos fazer um exercício? Imagina o que aconteceria se a PM do Brasil inteiro parasse?

Por: Paulo Franco – diretor da Franco Consultoria de Imóveis

 

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